
(As cartas da Rosa ao Cravo)
Guileri



Clichês. As mesmas rimas, as mesmas frases, as mesmas melodias, palavras tão repetidas, mas o sentimento se renovando a cada manhã, crescendo, se tornando mais dependente de ti. Talvez você já esteja cansado dessas minhas tolices, desses meus sentimentos, mas eu não canso, porque esse amor é o mais sincero que já viveu em mim. A luz que o teu sorriso traz, ilumina todo o meu caminho, me faz prosseguir de uma maneira diferente, tão boa. A intensidade do teu olhar que me faz atravessar a tua alma, chegar ao teu coração e saber que ele tá numa mesma sintonia que o meu. Você já fez moradia em meus pensamentos. Você já se fixou em mim. Ah anjo, se você soubesse, estás tão impregnado em mim. Sabe, por mais que eu te escreva milhares e milhares de cartas de amor, essas tais palavras são pequenas e empequenecem sentimentos, pois eles são muito maiores que qualquer uma delas. Mas hoje, queria tanto de fazer uma poesia numa cartinha para que soubesses tudo isso, para que visses o meu amor e até o sentisse, mas as palavras impõem limites que não há entre nós, são pequenas e fracas. Por isso, apenas penso e digo: te amo, assim, baixinho e devagarinho, para que tu sintas o que há dentro de mim.
Guileri

O meu erro foi esse: criar um sentimento no qual não se cria por aí. Alias, até se cria, mas quando há reciprocidade. Mas não havia; e eu insisti. Alimentei, cuidei, reguei, cultivei, me preocupei para fazer sempre o certo, mas embaracei-me por completa. Eu acreditei no coração que pulsava fortemente ao vê-lo, acreditei no coração e na sua curiosidade de encontrar a pessoa certa. Vai lá entender, mas mesmo cansada, meu coração ainda batia por ele, mesmo com todas as dores. A dor era tanta que já era algo rotineiro, já estava produzindo uma própria anestesia. Doeu tanto, que hoje, posso considerar que não dói mais. Entenda bem, antes era algo de se tirar a vida, insuportável, mas hoje eu consigo controlar um pouco esses batimentos e borboletas loucas dentro de mim. Eu buscava forças onde só havia fraqueza, buscava me apoiar em coisas sem raízes, que eram fracas e caiam facilmente. Sim, meu coração chorava dia e noite, mas ainda assim eu o amava em cada pedaço que ele havia quebrado. E na força desse amor, estava a fé, acreditando que um dia ainda iria tê-lo ao meu lado. Acreditava e buscava minha alegria nele; pensava que só seria feliz se o tivesse ao meu lado, e as vezes ainda penso, mas descobri que nos pequenos detalhes eu posso arrancar um pouco e depois terei o muito. Descobri que minhas lágrimas e essas milhares de cartas não vão te trazer pra mim, mas no futuro você saberá que teve um alguém que te amou demais, mas cê não foi capaz de cuidar desse amor. Mas quem sabe, dizem que o amor é eterno, eu posso te esperar por mais algum tempo, mas enquanto isso te tenho mais em mim, e eu vou te criando aqui. E se isso não for amor, é muito mais bonito, mais real, mais sincero, Zé. (As cartas da Rosa ao Cravo)
Guileri